terça-feira, 5 de junho de 2012


Cinco propostas para enfrentar uma ruptura na zona do euro.
Em meio ao agravamento da crise na zona do euro, um centro de estudos de políticas públicas britânico lançou um desafio tentador a economistas: premiará com 250 mil libras (R$ 784 mil) quem conceber o melhor plano de contingenciamento para uma potencial ruptura no bloco dos países de moeda única.

O prêmio, chamado Wolfson Economics Prize, será entregue no dia 5 de julho deste ano por um comitê de jurados durante cerimônia na sede do instituto Policy Exchange, em Londres.
A pergunta à qual os estudiosos tiveram de buscar uma resposta é: "Se um membro da zona do euro deixar a união monetária e econômica, qual seria a melhor forma de gerenciar tal processo para assegurar as bases do crescimento e da prosperidade do bloco no futuro?"
Segundo Lord Wolfson, cuja família mantém a entidade beneficiente que divulgou o prêmio, há uma necessidade cada vez maior para se encontrar uma solução frente à qualquer dissolução na zona do euro.
A premiação, que acontece todo ano, é a de maior valor depois do prêmio Nobel, da Suécia.
Veja, abaixo, as propostas inscritas pelos cinco finalistas:

1) A Grécia - ou outro país - poderia deixar a zona do euro
A Grécia é um dos países que, para Mark Pragnell, um dos finalistas, corre mais risco de deixar o euro.
O cenário mais realista para uma ruptura na zona do euro é o de que a Grécia, ou outro país periférico mais fraco, deixe o bloco e introduza uma nova moeda, que perderia valor vertiginosamente. Isso levaria à moratória de grande parte da dívida desses governos.
Os preparativos para uma saída devem ser feitos em segredo e de imediato. Antes da partida, entretanto, alguma forma de controle de capital será essencial, incluindo o fechamento temporário de bancos e ATMs.
Sem tempo hábil para imprimir novas cédulas, as notas e as moedas de euro continuariam a ser usadas para transações de baixo valor.
Haveria, inicialmente, uma paridade da nova divisa com o euro, antes de uma depreciação em torno de 30% a 50%, o que impulsionaria a competitividade internacional da Grécia.
O governo teria de "redenominar" a dívida em nova moeda nacional e esclarecer sua intenção de renegociar os termos da dívida.
Seria preciso também anunciar medidas robustas para manter a inflação sob controle. Com tais iniciativas, os mercados poderiam voltar a emprestar ao país a médio prazo.
Esta também seria uma oportunidade para o país que está de partida se desvencilhar de uma camisa de forças de dívida.
Mark Pragnell, economista da Capital Economics

2) Dor aguda, mas de curta duração
Segundo Jonathan Tepper, abandono do euro seria semelhante ao fim do padrão-ouro na Inglaterra.
Muitos economistas esperam consequências catastróficas se algum país deixar o euro.
Durante o último século, no entanto, 69 países mudaram de moedas com pouca volatilidade econômica.
A mecânica de rompimentos de moedas é complicada, mas factível. Exemplos históricos fornecem indícios de possíveis soluções.
O grande problema oculto na Europa é que os países periféricos têm níveis de dívida externa maiores do que tinham na maioria das crises anteriores de mercados emergentes. Eles também enfrentam grandes diferenças de salários e preços em relação a seus vizinhos mais ricos.
A Europa tem hoje as características de uma crise clássica de equilíbrio de pagamentos em mercados emergentes. Desse modo, o problema não é a mecânica da saída (do euro), mas como realizar um ajuste severo e necessário.
O ajuste pode acontecer rapidamente, deixando-se o euro e desvalorizando (a nova moeda), ou lentamente, por meio de uma queda de salários e preços reais. Deixar o euro e desvalorizar a moeda seria muito doloroso, mas a dor seria aguda e curta.
A saída iria acelerar as falências, mas daria uma poderosa ferramenta de políticas para restaurar a competitividade por meio de taxas de câmbio flexíveis. Moratórias controladas e reprogramação das dívidas combinadas com desvalorizações são inevitáveis e até mesmo desejáveis.
A periferia europeia poderia crescer de novo, e rapidamente, com níveis de dívida menores e taxas de câmbio mais competitivas. Isso ocorreu com países que deixaram o padrão-ouro nos anos 1930 (Grã-Bretanha e Japão em 1931, Estados Unidos em 1934, França em 1936). Também ocorreu com mercados emergentes após recentes moratórias e desvalorizações (Ásia em 1997, Rússia em 1998, Argentina em 2002 e Islândia em 2008).
Jonathan Tepper, economista da Variant Perception

3) Todos retornam às suas moedas nacionais
Para Neil Record, Alemanha deveria tomar à frente do processo de dissolução do euro.
A Alemanha encarregaria a uma comissão supersecreta a preparação de um plano para ser adotado apenas se um país estivesse prestes a sair da zona do euro.
Como parte desse plano, líderes dos 17 países que integram a zona do euro seriam chamados para uma reunião de emergência.
Nela, a chanceler alemã proporia aos líderes que todos, coletivamente e imediatamente, abandonassem o euro, voltando a adotar suas moedas nacionais com as mesmas cotações que registravam no momento em que os países adotaram a moeda única.
O Banco Central Europeu (ECB, na sigla em inglês) seria abolido e suas funções seriam devolvidas aos bancos centrais nacionais. Todas as contas bancárias, ativos, passivos e obrigações de cada país-membro seriam imediatamente "redenominadas" em moedas nacionais.
Ativos, passivos e contratos derivativos que não fossem identificáveis como domiciliados em um Estado específico seriam "redenominados" em uma moeda única europeia – uma cesta das novas moedas detidas pelos acionistas do BC europeu.
Todos os Estados-membros concordariam em estender liquidez ilimitada para os bancos domiciliados em seus Estados e a maioria acabaria precisando de recapitalização.
Notas de euro e moedas seriam "redenominadas" na moeda do Banco Central nacional que as emitiu (notas de euro contêm prefixos com letras e números de série que identificam o emissor).
Notas nacionais seriam impressas assim que possível. Mercados reabririam após feriados bancários compulsórios e o novo dracma cairia, digamos, 60% abaixo da sua taxa oficial de conversão para o euro. O novo marco alemão subiria, digamos, 20% acima da sua taxa oficial de conversão.
Isso permitiria que os Estados do sul voltassem a trabalhar e limitaria o crônico superávit de comércio da Alemanha com a zona do euro. Essa opção seria caótica, mas colocaria um fim à crise, estabelecendo as fundações para uma nova Europa.
A chanceler alemã explicaria que, caso o pedido alemão não fosse aceito por todos os países membros, a Alemanha colocaria em prática um plano em separado para abandonar o euro sozinha.
Neil Record, economista da Record Currency Management

4 – Como converter moedas
Jens Nordvig propõe a criação de uma cesta de moedas para substituir o euro.
Uma eventual fragmentação da zona do euro implica também na necessidade de converter contratos regidos pelo euro para as novas moedas. Isso é relevante para títulos, empréstimos, depósitos e outros instrumentos dos mercados financeiros.
Esse processo não é fácil execução, devido a restrições legais. Os diferentes instrumentos financeiros são administrados por leis diferentes e muitos instrumentos denominados pelo euro são regulamentados por leis de outros países, especialmente leis inglesas.
Os governos dos países da zona do euro não podem mudar leis de outros países e também não podem converter facilmente bens regidos por tais legislações.
Uma vez que existem dezenas de trilhões de contratos em euro regidos por leis de outros países, o problemas que temos pela frente, com uma eventual dissolução do bloco, é muito grande.
Nosso plano destaca a importância de facilitar um processo de conversão sem grandes sobressaltos em todos os possíveis cenários de separação na zona do euro.
Nele, incluímos a necessidade de uma cesta de moedas ECU – 2 (European Currency Unit) para acomodar as exigências relativas ao euro no caso extremo em que o euro deixaria de existir.
A ECU-2 seria uma ponte entre o euro (que não existiria no caso de fragmentação total da zona do euro) e as novas moedas nacionais.
O conceito de ECU – 2 iria, portanto, ajudar a evitar conversões arbitrárias de moedas e batalhas legais prolongadas a respeito das conversões. Na falta de um processo eficiente de conversão, um fim da zona do euro teria efeitos devastadores e poderia causar uma paralisação completa do sistema financeiro global.
Jens Nordvig, economista da Nomura Securities

5) Separar a zona do euro em duas, para evitar a fuga de moedas
Cathy Dobbs fez uma analogia com a clara e a gema do ovo para explicar sua proposta.
Minha abordagem foi criada para permitir uma transição tranquila da zona do euro para duas ou mais regiões e evitar o fluxo de capital especulativo, que pode obrigar um país a sair da zona do euro.
Estas novas regiões teriam seu próprio Banco Central, política monetária e moeda. Todos os euros seriam tratados de forma igual e trocados a uma cotação definida por uma cesta de novas moedas a um índice fixo e determinado - o documento descreve como este índice seria determinado. Cada um escolhera para qual moeda converteria os valores em euro.
O valor determinado para contratos e dívidas já existentes regidos pelo euro poderia ser determinado pela taxa de câmbio e o valor relativo das novas moedas.
Depois da separação, a competitividade poderia ser retomada pelo país ou países que saírem (da zona do euro) gerenciando uma desvalorização gradual, usando taxas de juros nominais mais altas e inflação. Taxas de juros mais altas evitam um colapso repentino da moeda e a fuga de capitais. Além disso, qualquer negociação ou calote de dívida pode ser gerenciado separadamente.
Os poupadores dos países que saírem não serão penalizados. Os especuladores não serão recompensados e o processo também dá o tempo necessário para a migração para os regimes das novas moedas.
Pelo fato de reduzir o risco do fluxo de capitais especulativos, esta abordagem também pode dar mais base para os países da zona do euro que ainda permanecerem juntos.
Esta abordagem pode ser chamada de Newney, ou, New Euro-White (NEW), referindo-se à clara (white) de um ovo, e New Euro-Yolk (NEY), referindo-se à gema (yolk) de um ovo. Como quando a clara é separada da gema.
Cathy Dobbs, investidor privado

Fonte: BBC - Brasil.
Matéria postada por Werley Novais, membro do Grupo de Pesquisas e Estudos Contábeis - Graciliano Ramos (GPEC-GR).

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Gestão de qualidade é arma para as pequenas

A qualidade tem um custo. Mas sua ausência pode ter um custo ainda maior para qualquer tipo de negócio, principalmente para as empresas de pequeno porte. Preço e qualidade são premissas básicas para os clientes.

Para nós, prestadores de serviço, o processo de trabalho precisa ser o melhor possível do começo ao fim, com todos os envolvidos, assim como sempre entregar um pouco a mais do que foi acordado com o cliente, na prestação de serviço e no atendimento. Isso é o que conquista, satisfaz e fideliza o cliente e este é um dos grandes desafios dos empreendedores.
Quando se lida com inovação e criação de produtos diferenciados e personalizados, fora de uma linha de produção pré-determinada, a qualidade torna-se ainda mais vulnerável se não houver um olhar crítico e atento a cada etapa do processo.
Não se trata apenas da excelência do produto, mas também de outras etapas da demanda, como, por exemplo, uma alteração solicitada pelo cliente em cima da hora, que pode causar transtornos caso não exista alguém que entenda, "defenda" e negocie os interesses das duas pontas: cliente e fornecedor. E, neste caso, uma das principais negociações é o prazo. Prevenir é sempre mais econômico e mais viável que corrigir.
É comum acreditar que qualidade sempre está ligada somente às grandes marcas e às grandes empresas. Isto, no entanto, é hoje uma realidade ultrapassada. Felizmente!
Não importa o porte da empresa. O investimento em gestão de qualidade traz oportunidades valiosas de aprendizagem, crescimento e desenvolvimento para todas as partes envolvidas nos negócios.
O gestor de qualidade é como um maestro orquestrando funcionários, clientes e fornecedores, trazendo harmonia para o processo de prestação de serviço por meio da observação minuciosa do fluxo de trabalho e dos resultados obtidos.
Este profissional deve estar um passo à frente da equipe e sempre atento ao que acontece à sua volta, pensando em novos caminhos, apontando soluções e utilizando recursos estratégicos e visionários. Isso propicia uma melhoria contínua do serviço oferecido e do comportamento da empresa, tendo como focos o crescimento e a diferenciação desta no mercado.
Sua função vai além das funções de um ouvidor: com base nas críticas e sugestões dos clientes, cabe a ele sugerir alternativas e ações de melhorias internas que influenciem positivamente a qualidade final do produto, o respeito aos prazos de entrega e o engajamento e realização da equipe.
Os ganhos não são apenas do ponto de vista empresarial. Os funcionários tornam-se mais comprometidos e satisfeitos sob o comando de um gestor que possa conduzí-los com liderança, atenção e estímulo. Os fornecedores e os clientes também ficam mais confiantes e engajados, por terem uma voz que os representa em suas mais variadas necessidades.
Qualidade não é apenas ter um ótimo produto final. Inclui também um bom atendimento ao cliente e, do ponto de vista do serviço em si, um espaço para os funcionários e fornecedores manifestarem suas opiniões.
A excelência na prestação de serviço, seja numa agência de pequeno ou médio porte, seja numa grande empresa, gera um vínculo forte e praticamente indissolúvel. Nas pequenas empresas, ela ainda cria um valor adicional, ou seja, um relacionamento baseado na confiança, patrimônio imensurável para qualquer negócio.
 Fernanda Lancelotti - Sócia da Dreams Arquitetura de Ideias.
Fonte: Brasil Econômico.
Postada por Werley Novais, membro do Grupo de Pesquisas e Estudos Contábeis Graciliano Ramos (GPEC-GR).